Cooperativismo Popular e Movimento Camponês: autonomia territorial e agroindústria no nordeste goiano

Em 06/08/26 14:43 Mise à Jour 19/08/26 15:11

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A atividade formativa “Cooperativismo Popular e Movimento Camponês: autonomia territorial e agroindústria no Nordeste Goiano”, realizada ao longo do mês de julho de 2026, promoveu espaços de formação política e técnica voltados à camponeses, quilombolas, assentados, extrativistas e lideranças comunitárias da região. A iniciativa foi realizada a partir da parceria entre a Casa de Projetos Sociais da Universidade Federal de Goiás (CPS/UFG) e a equipe do projeto de extensão “Biodiversidade e Cadeias Produtivas: restauração de áreas degradadas e sustentabilidade socioeconômica no Cerrado Goiano”, conhecido como Projeto BIOCA.

 

As atividades foram organizadas em duas oficinas, realizadas em diferentes territórios do Nordeste Goiano: a primeira no Vão do Paranã, no município de Simolândia, e a segunda no território Kalunga, em Teresina de Goiás. Os encontros reuniram sujeitos envolvidos com a agricultura familiar, o extrativismo e outras formas de produção comunitária, tendo como perspectiva a construção coletiva de estratégias para fortalecer a autonomia econômica e territorial das comunidades. A formação também marcou o início do processo de incubação de duas cooperativas, estruturadas a partir das experiências produtivas existentes nos territórios. A proposta busca articular a agricultura familiar e o extrativismo sustentável à construção de uma futura agroindústria regional, fortalecendo cadeias produtivas locais e criando alternativas de geração de renda e comercialização para as comunidades.

 

 

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Um dos eixos centrais das oficinas foi o debate sobre as diferenças entre o cooperativismo de mercado, predominante nos modelos econômicos tradicionais, e o cooperativismo popular, compreendido como instrumento de organização coletiva e emancipação dos trabalhadores. A partir da educação popular, as atividades estimularam a reflexão sobre os desafios enfrentados pelas comunidades diante da atuação do agronegócio e dos atravessadores, além de fortalecer a identidade camponesa e a construção de relações de confiança e solidariedade entre os participantes.

 

As oficinas também possibilitaram um diagnóstico participativo das cadeias produtivas locais, considerando potencialidades e desafios relacionados à logística, infraestrutura, capacidade de produção, comercialização e às relações de gênero presentes nos processos produtivos. O levantamento contribui para pensar, de forma coletiva, a estruturação de uma agroindústria regional articulada às características e necessidades dos territórios. Outro resultado da formação foi a estruturação de um Grupo de Trabalho Camponês de Articulação, concebido como espaço coletivo para conduzir as próximas etapas de construção das cooperativas.